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Boletim 04

Boletim nº 04

Novembro 2015
HISTEDUP_boletim04

EDITORIAL

“Quando olho para mim não me percebo. Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.”
[Álvaro Campos (1913) Arco de Triunfo]

Regressar a este espaço periodicamente foi um dos compromissos que assumimos, no sentido de nos ajudar a conhecer, cimentar o grupo enquanto Associação, ainda numa etapa de infância, partilharmos reflexões sobre o que vamos fazendo e produzindo, divulgar iniciativas em que estamos envolvidos e dialogarmos desta forma num suporte escrito e digital.
Entendemos que esta é também uma forma de, aqueles que pretenderem, poderem manifestar (des)contentamentos e opiniões sobre o caminho que temos percorrido com a Associação. Embora assumida enquanto Direção, não pretendemos ter o monopólio do seu conteúdo e, portanto, aqui fica o desafio para, sempre que pretendam, enviarem contributos que estejam adequados à filosofia desta Newsletter.
O trajeto percorrido tem trazido factos e comportamentos que convidam à reflexão, individual e coletiva, porque eles têm contribuído para sentimentos “que não gostávamos de sentir”, “sensações” recebidas extraviadas daquilo que esperávamos, aumentando uma perceção de insatisfação que seria desejável não “tomarem conta de nós”.
O espaço jurídico criado foi amplamente discutido por quem pretendeu participar nessa discussão, as justificações foram frequentemente enumeradas, os escolhos que foram surgindo como razão para o protelamento da decisão foram cirurgicamente retirados, porque se entendia que o coletivo tinha um desiderato que necessitava de alguma ousadia. Às vezes “quando olho para mim não me percebo” porque, porventura, seria melhor ter ficado quieto, ter aceitado o comodismo da inércia, ter assobiado para o lado, ter cultivado o egoísmo da(s) realização(ões) individuais.
Congregamos forças e vontades, rompemos com o anonimato de um grupo, procuramos criar uma identidade (desde a científica à gráfica), publicitamo-nos junto das entidades que nos conheciam individualmente e, também elas, contribuíram para a nossa afirmação/inscrição coletiva, tentamos demonstrar capacidade organizativa e produzir descritores enquanto grupo e, por vezes, temos a perceção de Álvaro Campos, porque marcam o nosso quotidiano sensações que não gostávamos de ter, desânimos que não queríamos sentir…
Já sabíamos que o caminho não era linear, não seria asfaltado, não seria fácil… mas também queremos sentir que valeu a pena iniciá-lo e valerá a pena prossegui-lo. Não precisamos de palmas, mas também não é necessário empurrões. Não queremos manifestações ostensivas de apoio mas dispensamos a falta de cumplicidade.
Queremo-nos perceber…Temos o direito de nos sentirmos… Não nos queremos extraviar!

Luís Alberto Marques Alves