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Boletim 01

Boletim nº 01

Novembro 2014
HISTEDUP_boletim01

EDITORIAL

Uma das caraterísticas mais evidentes nos últimos tempos é a referência a tendências da investigação, a perspetivas heurísticas, a linhas conceptuais renovadas, a densificação do quadro epistemológico em que trabalhamos, a alargamento do nosso espaço de reflexão – o termo internacionalização/ globalização surge com muita frequência – ou a um enriquecimento da hermenêutica de fontes, mais ou menos frequentemente utilizadas. Há uma clara preocupação de natureza metodológica que nos coloca num espaço científico confortável, com uma identidade específica, com uma credibilidade ao nível da produção de conhecimento que me parece inquestionável. Aliás será sobretudo por isso que legitimam e solicitam a presença sistemática de historiadores da educação, para conferências de abertura, para dinamização de debates, para mesas redondas onde marcam presença sociólogos, políticos, jornalistas ou historiadores de outras áreas. Às vezes chega mesmo a dar a ideia de que somos chamados para legitimar opções que precisam de apresentar uma auréola de credibilidade.
Numa entrada que é complementar, para falar de desenvolvimento, para conversar sobre a durabilidade da paz, para saber como lidar com momentos de guerra nos conteúdos educativos, para partilhar experiências de ensino entre países ou para os hierarquizar em termos de (sub) desenvolvimento, encontramos também aí investigadores que fazem da educação o seu ofício, dando a conhecer o que a história de outros espaços e de outros tempos nos pode dar para não construirmos casas, modelos ou sistemas que tendo sido já testados e conhecendo nós os seus resultados, permitem-nos aplicá-los mas com um sentido crítico diferente, ou até evitá-los.
Mas estes espaços de reflexão internacionais onde, sempre que podemos nos encontramos, evidenciam-nos algumas realidades que temos de enaltecer, referir, embora sem necessidade de as singularizarmos. Desde logo a frequência com que esta comunidade científica a que pertencemos organiza e partilha dúvidas, metodologias, resultados e preocupações. Depois a incorporação gradual de novos objetos de estudo – desde a história das mentalidades, da vida quotidiana, da micro-história, da história das mulheres, dos patrimónios educativos…- que nos colocam nas novas tendências da historiografia contemporânea. Ainda a interdisciplinaridade que reclamamos nas evidências das nossas investigações e que vão da história oral à sociologia, da antropologia ao património e museologia, da economia à pedagogia, da literatura à filosofia.
Partilhar noticias, perspetivas, publicações, encontros, seminários, ideias … pode ser sempre um bom tema para os nossos (re)encontros. De forma escrita, virtual ou pessoal, devemos dar consistência ao que já temos e ousar abrir caminhos que serão sempre mais instigantes se forem diferentes.
Será este o principal desiderato deste encontro periódico com esta newsletter.

Luís Alberto Marques Alves